Telemedicina

Em reunião comemorativa, professores, médicos e profissionais da saúde discutiram as perspectivas para as próximas décadas da TeleGero. Com atividades ininterruptas desde 2005, a rede é referência em Geriatria e Gerontologia

Há dez anos, tiveram início as reuniões de Geriatria na Faculdade de Medicina da USP, com conexão por videoconferência com três pontos remotos. O objetivo era capacitar e atualizar profissionais ligados às áreas de Geriatria e Gerontologia, através da troca de experiências a distância. Nascia a TeleGero, que atualmente comemora o sucesso de seu trabalho colaborativo, multicêntrico e multiprofissional.

Professores durante reunião da TeleGero. Da esquerda para a direita: Antonio Carlos Pereira Barretto Filho, Chao Lung Wen e Wilson Jacob Filho

Professores durante reunião da TeleGero. Da esquerda para a direita: Antonio Carlos Pereira Barretto Filho, Chao Lung Wen e Wilson Jacob Filho

A iniciativa de congregar centros de ensino e pesquisa de todo o país para discutir o envelhecimento humano foi da Disciplina de Geriatria do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina (FM) da USP, sob a liderança de seu titular, o Professor Doutor Wilson Jacob Filho, que também é diretor do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas da FMUSP. Com o apoio da Disciplina de Telemedicina do Departamento de Patologia da FMUSP, começaram as reuniões mensais entre universidades, hospitais, centros de saúde e organizações que não tinham a oportunidade de interagir com frequência devido à distância física.

Desde então, ininterruptamente, são realizadas as reuniões, com palestras sobre teses de doutoramento, resumos de eventos, detalhamento de projetos e experiências clínicas, sempre com a abordagem de temas relevantes para o cuidado do idoso e com debates entre os centros participantes.

Em julho de 2005, a primeira reunião uniu quatro membros em três polos: dois em São Paulo e um em Ribeirão Preto. Atualmente, participam da TeleGero 13 membros em 10 polos: em São Paulo (três polos), Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Manaus, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Paraná e na cidade de Porto, em Portugal.

“Esse crescimento deve-se à persistência de todos os participantes. Existem poucos grupos que mantêm atividades acadêmicas ininterruptas por 10 anos através de Telemedicina”, parabenizou o professor Chao Lung Wen, chefe da Disciplina de Telemedicina da FMUSP, durante a reunião comemorativa dos 10 anos da TeleGero, no dia 30 de julho de 2015. “A grande quantidade de profissionais, de diferentes regiões geográficas, torna os participantes da rede o único grupo no país que tem possibilidade de discutir assuntos e estabelecer um consenso para a saúde do idoso, levando com consideração as diversas realidades e experiências regionais (diferentes olhares). As reuniões gravadas da TeleGero representam um patrimônio intelectual que deve ser preservado”, observou.

O acervo resultante das reuniões gravadas totaliza 216 horas ou, em outras palavras, 27 dias úteis (de oito horas). São 108 reuniões, cada uma com palestras realizadas por uma das instituições integrantes da TeleGero. “Tudo isso faz parte de um patrimônio escrito com centenas de mãos. Estamos em um momento festivo, de comemoração pelos 10 anos de TeleGero, e também de responsabilidade, pois devemos planejar as estratégias dos próximos 10 anos, olhar para o futuro”, lembrou o professor Wilson Jacob Filho.

O futuro foi o tema da palestra do professor Chao durante a reunião comemorativa. Sob o título “Século 21: Aplicação de Tecnologias Digitais para a área da Saúde”, o professor falou sobre o papel da Telemedicina e Telessaúde na cadeia produtiva de saúde, desde a promoção da saúde (e-Care) até o acompanhamento permanente da saúde do indivíduo e de seus familiares (telehomecare), passando pela redução de riscos e agravos, pelo tratamento das doenças e pela recuperação do paciente.

Segundo o professor, a Telemedicina e Telessaúde envolvem não somente assistência, mas também a educação interativa e inovadora. E não podemos pensar apenas em usar recursos tecnológicos, porque o que faz a diferença é a humanização. “Para a área de envelhecimento humano, é preciso discutir o serviço de telehomecare com a integração de profissionais”, recomendou. “Nesse contexto, o mobile Care exercerá um importante papel. Por exemplo, as prescrições medicamentosas devem ser acompanhadas de instruções que levem em consideração os conhecimentos, hábitos e cultura do idoso e de sua família. E essas orientações podem ser dadas diariamente por meio de tablets e smartphones”.

Reunião comemorativa dos 10 anos da rede, com 11 pontos conectados

Reunião comemorativa dos 10 anos da rede, com 11 pontos conectados

Para o professor Chao, a perspectiva da TeleGero é ser e se manter como uma central multicêntrica de referência e excelência em Geriatria e Gerontologia no Brasil. Após a sua palestra, todas as instituições conectadas discutiram como vislumbram o futuro da rede.

Conheça as instituições participantes da TeleGero:

São Paulo:

  • Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)
  • Hospital Universitário (HU) da USP
  • Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP
  • Centro de Saúde Escola Samuel Pessoa (Butantã – FMUSP)
  • Centro de Referência do Idoso (CRI) da Zona Norte

Rio de Janeiro:

  • Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ)

Amazonas:

  • Universidade do Estado do Amazonas (UEA)

Rio Grande do Sul:

  • Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
  • Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)

Pernambuco:

  • Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC) e Núcleo de Telessaúde (NUTES) da Universidade de Pernambuco (UPE)
  • Real Hospital Português de Beneficência (RHP)

Paraná:

  • Fundação de Apoio e Valorização do Idoso (FAVI)

Portugal:

  • Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP)