Telemedicina

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História da Telemedicina

O contexto da Telemedicina é comunicação. É o descobrimento da eletricidade, da eletrônica, do uso do computador, do uso das redes, sobretudo da Internet. De tudo o que se falou, o mais importante é o desejo de comunicação do homem. Alguns fatos históricos devem ser colocados em destaque, pois culminaram no atual sistema de comunicação que existe nos dias de hoje:

  • descoberta da eletricidade (por Alessandro Volta e André-Marie Ampère);
  • invenção do telégrafo (em 1838, por Samuel Morse);
  • surgimento da telefonia (30 anos após o patenteamento do telégrafo);
  • em poucos anos, o telégrafo ficou livre dos fios e começou a funcionar a partir de ondas eletromagnéticas descobertas pelo italiano Guglielmo Marconi. Seu primeiro grande triunfo experimental aconteceu em 1899, ao acender, da Itália, as luzes do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro – Brasil.
  • surgimento da “Era Digital”, a partir da necessidade de acelerar cálculos matemáticos.

Surgimento da Telemedicina

a) Computadores

A Telemedicina está relacionada com a evolução dos computadores e redes.

  • 1834 – Construído o primeiro computador mecânico programável, na Inglaterra, por Charles Babage.
  • 1941 – Konrad Zuse (alemão) – Primeiro computador eletrônico controlado por programa (Z3).

Outros nomes também têm destaque na criação de computadores pelo mundo:

  • Howard Aiken – americano.
  • Thomas Flowers – inglês.
  • John Mauchly e John Eckert Jr – americanos que criaram o Eniac, um gigantesco computador que funcionava a base de válvulas que queimavam toda hora. Era considerado o número um do mundo, pois não servia apenas para fazer cálculos. A memória era menor que a de um celular fabricado nos dias de hoje. Foi aposentado em 1962.
  • Jonh Von Neumann (húngaro), matemático criador do conceito da “memória” do computador.
    Com a evolução dos computadores, surgiram os computadores pessoais, de 1960 a 1970, que começaram a ser comercializados em 1977. Com o passar dos anos, os computadores foram aperfeiçoados no que diz respeito à memória, aos programas e aos acessórios.
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b) Redes

As primeiras redes eram usadas para fins militares (ligavam radares). A mãe de todas as redes era a ARPANET (Advanced Research Projects Agency Network), que ligava a Universidade de Los Angeles com Stanford (Califórnia) e centros militares. Era uma rede segura, não tinha um centro, e foi criada com a finalidade de proteger interesses americanos de defesa, na época da Guerra Fria com a União Soviética.

Tim Berners Lee, inglês que trabalhava no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares na Suíça, inventou a Internet, a partir de ideias da ARPANET.

Com o surgimento do computador e da Internet, surge a Telemedicina propriamente dita. Duas áreas dão grande impulso à Telemedicina: exploração espacial (NASA) e todos os ministérios de defesa (áreas militares do mundo). As décadas de 60 e 70 são os marcos de progresso da Telemedicina.

Experiência de Harvard

Em 1967, o Hospital Geral de Massachusetts foi ligado ao aeroporto da cidade de Boston, com o objetivo de atender qualquer emergência que ocorresse no aeroporto a partir do Hospital. Por outro lado, o Hospital receberia informações básicas de um indivíduo que tivesse um problema grave no aeroporto e precisasse ser levado de ambulância. Esse é um marco importante na história da Telemedicina. A partir desse fato, ocorreram outras experiências isoladas.

A Telemedicina foi a especialidade médica que mais cresceu no mundo. Embora a Telemedicina tenha raízes profundas, a sua realidade tem pouco mais de 20 anos e está modificando o cotidiano de profissionais da saúde e de pacientes.

O uso é desigual no globo: há nações que desconhecem totalmente e outras que dependem completamente da Telemedicina. Por exemplo, o Canadá e os Estados Unidos disparam no uso da Telemedicina, assim como alguns países europeus como Inglaterra, Alemanha, França e Escandinávia. Na Ásia seriam Japão, Coreia e Singapura. Na África, por sua vez, há países que nunca ouviram falar, assim como lugares na Ásia e Oceania, exceto Nova Zelândia e Austrália (número um em telepsicologia no mundo). A Groelândia depende totalmente da Telemedicina, dirigida a partir da Dinamarca.

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Telemedicina no Brasil

Confira os principais acontecimentos relacionados ao surgimento e expansão da Telemedicina no Brasil:

1985 – Surge a Disciplina de Informática Médica da Faculdade de Medicina da USP.
De 1994 a 2000, as iniciativas foram isoladas, sem coordenação. Não havia interesse do governo. Não havia a percepção da revolução digital. Neste período (2000) houve preocupação com redes e salas de teleconferência. Iniciou-se a teleducação na área médica e de saúde pública, as teleconferências médicas com o exterior, em geral para pacientes da rede privada, a teleletrocardiografia, por fax e depois pela Internet em setores públicos e privados. Minas Gerais, Pernambuco, Santa Catarina e São Paulo foram os primeiros estados brasileiros a se engajarem com telemedicina.

1994 – Uma empresa privada começou a fazer diagnósticos de eletrocardiografia por fax.

1995 – O InCor do Hospital das Clínicas também começou a fazer diagnósticos de eletrocardiografia por fax.
A partir de 1995, ocorreram teleconferências e telediagnósticos.
A Rede Sarah de Hospitais interligou as suas unidades do Distrito Federal, Bahia, Minas Gerais e Maranhão, para fins de telediagnóstico e teleconferência.
Nas Universidades, a Telemedicina e a Telessaúde começaram um pouco depois. Na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a Disciplina de Telemedicina foi inaugurada em 1997.

1997 – O CNPq inventou a Rede Municipal de Alta Velocidade para estimular as universidades a desenvolverem comunicações. No caso das universidades da área da saúde, para o desenvolvimento de Telemedicina e Telessaúde. Várias universidades assinaram contrato em 1998 e 1999 para iniciarem suas atividades.

1999 – O Hospital Sírio Libanês começou a fazer teleconferência com o exterior para resolver casos complicados.

1999 – A UNIFESP inaugurou o seu Departamento de Informática e Telemedicina e participou de forma vigorosa no desenvolvimento da Telemedicina nacionalmente.

• De 2000 a 2003 cresceu o interesse pela Telessaúde. Surgiram redes e salas de teleconferência em toda a parte, porém sem tráfego expressivo (apenas nove estados). Houve iniciativas isoladas de teleducação nas áreas médica e de saúde pública, como a telepatologia. A FMUSP transmitiu on-line autópsias para várias faculdades do país.

• A Telemedicina não prosperou nos setores privados por falta de regulamentação do reembolso pelos serviços prestados.

2001 – ITMS (empresa Suíça com filial em Minas Gerais) se dedicou ao diagnóstico de cardiopatias, lendo eletrocardiogramas de qualquer município brasileiro que quisesse enviar o exame para Uberlândia (MG).

• O Conselho Brasileiro de Telemedicina e Telessaúde foi fundado em 2002.

• De 2003 a 2013, surgiram redes e salas de teleconferência em todas as partes do país. A Teleducação existia na maioria dos estados, não como disciplina. Eram frequentes as teleconferências médicas dentro e fora do país. Cresceu a teleassistência em todo o Brasil, porém não atendeu as necessidades do país.

• Em 2005, o Brasil foi sede do 10º Congresso da Internacional Society for Telemedicine and Health e, na mesma ocasião, foi realizado o 2º Congresso do Conselho Brasileiro de Telemedicina e Telessaúde. O CNPq lançou o programa “Institutos do Milênio”. O Governo mostrou interesse pela Telemedicina e Telessaúde, formou comitês, em Brasília, dos Ministérios da Saúde, da Educação e das Comunicações, criou a RUTE (Rede Universitária de Telemedicina), liberou recursos e estimulou o crescimento da Telemedicina e Telessaúde.

• A RUTE iniciou-se em 2006. Havia 78 núcleos em operação e a estimativa de que mais 80 entrariam em operação até o final de 2013.

Este texto é baseado na aula do Professor Emérito György Miklós Böhm, da Faculdade de Medicina da USP, gravada em 2013, para o curso de Pós-Graduação em Telemedicina.

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