Telemedicina

A Telemedicina da Faculdade de Medicina da USP estruturou uma carga programática para a formação dos alunos, ao longo dos 6 anos de graduação, em e-Care e Mobile Health; Telepropedêutica, Teleassistência e Telediagnóstico; Telemergências, Telerreuniões Clínicas e em 2ª Opinião Formativa, com proposta de início de atividades de e-Care a partir do 7º mês do curso

 

A Disciplina de Telemedicina da FMUSP está organizando uma proposta de grade formativa para uso na graduação médica, com a qual os estudantes poderão ampliar o conteúdo estudado, interagir e conhecer as diferentes realidades de saúde no país, além de familiarizar-se com as tecnologias móveis para potencializar a gestão e logística de saúde.

Denominada de Disciplina de Telemedicina e Jovem Doutor, esta proposta tem como objetivo proporcionar o aprendizado dos assuntos médicos e de cuidados aos pacientes de forma integral, familiarizando os estudantes com os recursos de Telemedicina, envolvendo os aspectos de Educação Inovadora baseada em tecnologia, teleassistência, telediagnóstico, e-Care e pesquisa multicêntrica, que estarão cada vez mais presentes no cotidiano profissional nos próximos 5 anos. Além disso, o curso possibilitará o contato com as diversas realidades da população brasileira, através da atuação supervisionada em comunidades, para a prática da promoção de qualidade de vida e prevenção de doenças em Atenção Primária, logo no primeiro ano do curso de graduação médica.

A proposta envolve duas modalidades de curso: a ampliada (adotada do primeiro ao décimo segundo semestre da graduação médica) e a compacta (oferecida do quinto ao oitavo semestre).  Na modalidade ampliada, as atividades práticas teriam início a partir do sétimo mês da graduação, através da participação no Programa Jovem Doutor Redes, que atua nas escolas e comunidades brasileiras.

O Programa Jovem Doutor Redes é uma atividade multiprofissional, que utiliza recursos da telessaúde, da Teleducação Interativa e do Projeto Homem Virtual com o propósito de incentivar os estudantes dos ensinos fundamental II, médio e superior a realizarem trabalhos cooperados que promovam a saúde e melhorem a qualidade de vida das suas comunidades, através de uma tutoria acadêmico-universitária, com ênfase em Atenção Primária. É uma ação da universidade para a sociedade, por meio da qual se estabelece um compromisso social contínuo, em diversas regiões e segmentos profissionais. As temáticas abordadas, para educação em saúde, serão definidas a partir das prioridades de saúde governamentais, em conjunto com as escolas e comunidades, formando um elo de responsabilidade e motivação.

A participação dos estudantes de medicina no Programa Jovem Doutor Redes estimulará a revisão e aplicação dos conhecimentos aprendidos, a partir de sua relação com os problemas encontrados na Atenção Primária. “Não é comum, no planejamento de uma grade curricular, priorizar-se a associação dos conhecimentos prévios do aluno com os conteúdos programáticos recém-aprendidos, no contexto do cotidiano, para aplicação prática em 90 dias após o aprendizado. Com isto, perde-se a oportunidade de estruturar e aplicar um método no qual o processo formativo seja focado em camadas de competências práticas, de forma que o estudante, após ser avaliado, certificado e supervisionado, possa assumir uma responsabilidade específica dentro da cadeia de saúde”, explica o professor Chao Lung Wen, chefe da Disciplina de Telemedicina da FMUSP.

Esta nova disciplina permitiria, então, ao graduando de Medicina, a construção de soluções e a elaboração de uma estratégia de abordagem, em equipe, a alguns problemas, por meio da integração dos conhecimentos aprendidos em salas de aula com a prática médica, que possibilitaria uma atuação nos serviços de saúde. “Hoje, os estudantes passam cerca de quatro anos concentrados em aprendizados teórico-laboratoriais.  Ficam na situação de espectadores e contempladores, sem assumirem efetivamente atividades como profissionais de saúde, sob supervisão. Esta situação inibe as iniciativas e reforça na mente deles que não possuem conhecimentos e experiências suficientes para assumirem responsabilidades até o final do curso”, analisa o professor Chao.

A Telemedicina da FMUSP planejou a nova disciplina usando o método de aprendizagem híbrida (Blended Learning). Dessa forma, os alunos poderão usar também os recursos interativos de uma educação inovadora com biblioteca de objetos educacionais de aprendizagem desenvolvidos com computação gráfica 3D (Projeto Homem Virtual). Segundo o professor Chao, “o acesso contínuo e amplo aos materiais educacionais em momentos fora do período das atividades previstas em grade curricular permitirá que o aprendizado migre do formato de palestras expositivas para um processo interativo, colaborativo e com fortalecimento do desenvolvimento de raciocínio e atitude”.

A utilização de uma plataforma educacional digital possibilitaria um complemento ao conteúdo dado em sala de aula, com foco nos temas de Atenção Primária, como doenças crônicas e e-Care (promoção de saúde e redução de riscos e agravos), com uma abordagem multiprofissional. De acordo com o projeto da nova disciplina, os graduandos teriam períodos de aprendizagem reflexiva, individual ou em grupo, e de web reuniões. Também projetariam como utilizar os diversos aspectos relacionados à Telemedicina, como teleassistência, telepropedêudica, telediagnóstico, Teleducação Interativa, objetos educacionais de aprendizagem, produção intelectual na realidade digital, entre outros.

O planejamento do curso integra os métodos de Aprendizagem baseada em Problema (Problem Based Learning), Aprendizagem baseada em Equipe (Team Based Learning) e aprendizado baseado em projetos.  As atividades seriam preparadas para estimular os alunos a desenvolverem soluções em equipe para os problemas encontrados nas comunidades (com encorajamento ao debate e ao uso dos recursos de Telemedicina e Telessaúde para gestão da saúde), a pesquisa científica (com incentivo à reflexão e habilidade crítica) e a aprendizagem baseada em projetos.