Telemedicina

Desenvolvida pela Disciplina de Telemedicina do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP, a Aula Presencial Interativa Conectada foi aplicada em aulas dos cursos de pós-graduação e de cultura e extensão.  O uso de recursos de transmissão online, interação entre os participantes e votação de dúvidas recorrentes, concomitantemente à explanação do professor, aumenta a interatividade e o questionamento e envolve o professor em um novo paradigma, levando-o a atuar como mediador e formulador de raciocínio, diminuindo o tempo de explanações exclusivamente teóricas

A Disciplina de Telemedicina (DTM) do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina (FM) da USP desenvolveu um sistema que possibilita implementar uma aula presencial diferente, em consonância com as tendências da Educação 3.0. Trata-se da Aula Presencial Interativa Conectada (APIC), que combina aprendizagem colaborativa, uso de tecnologias de educação a distância e a presença do professor, em um papel remodelado.

A Aula Presencial Interativa Conectada foi empregada com sucesso nesse ano (2015): no Curso de Pós-graduação em Telemedicina da FMUSP, de abril a junho, e no 10º Encontro USP Escola, de 13 a 17 de julho. Os públicos foram bem diferentes um do outro: o primeiro grupo era formado por médicos em pós-graduação stricto sensu e o segundo por professores da rede pública de ensino, que estavam participando de um evento de Cultura e Extensão coordenado pelo Instituto de Física da USP. Apesar de ter sido utilizado para alunos muito diferentes, a experiência da APIC foi bem-sucedida com ambos os grupos.

Sala de Aula do Futuro a partir de uma simples sala de informática

“Flexibilizada e adaptativa, a APIC é, certamente, o primeiro passo para a organização da Sala de Aula do Futuro, utilizando apenas uma sala de informática”, prevê o professor Chao Lung Wen, chefe da Disciplina de Telemedicina da FMUSP e idealizador do novo modelo. “A proposta” – explica – “é reduzir em 50% a quantidade de aulas expositivas, dando mais espaço para estimular o pensamento crítico, a pesquisa, a curiosidade e o crescimento individual do aluno, com base em seus conhecimentos e experiências”.

A APIC enriquece a aula devido à possibilidade de aprofundamento das discussões, com base nas dúvidas e pesquisas individuais ou em grupo que os alunos realizam durante a aula. O método permite flexibilizar o aprendizado, de forma que, enquanto o professor expõe a matéria, pode haver alunos atentos na explanação específica e outros imersos na pesquisa de algum conceito complementar ao assunto.  Isso é possível devido aos recursos de interatividade disponíveis para desktops, tablets e smartphones, como chat e votador de dúvidas recorrentes. Os participantes trocam ideias entre si e podem debater criticamente o raciocínio apresentado pelo professor. “Os alunos não precisam ser passivos, nem memorizar todos os detalhes da aula, que é gravada e pode ser revisada imediatamente após a explanação ou a qualquer momento, pela plataforma educacional”, esclarece o professor Chao.

O sistema de votação de dúvidas facilita a identificação das perguntas mais frequentes da turma e viabiliza debates mais dirigidos, com a participação do professor. Ou seja, ao invés de apenas expor seus conhecimentos aos alunos, o professor participa, guiando os debates e respondendo as dúvidas do grupo, baseando-se na sua experiência profissional. Assim, as aulas expositivas diminuem e dão lugar à construção coletiva do conhecimento, sob a liderança do professor. Como as aulas também são transmitidas pela Internet, via video streaming, os alunos que estão fisicamente distantes podem acompanhá-las em tempo real, participar e usar o votador de perguntas.